Arquitetura reconstrói e dinamiza o meio urbano

Publicado por Nadiva Olivier em 22/01/2012 às 12h22

Um olho, um tronco humano se retorcendo, um pássaro alçando voo, as pétalas de uma bromélia ? o bloco de rascunhos do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, dizem, parece mais de um estudante de artes plásticas que passou a tarde no museu. Quem vê duvida que sejam os primeiros esboços de qualquer construção. Mas basta olhar os edifícios projetados por ele para entender: Calatrava inspira-se em formas da natureza. O olho virou um planetário em Valência, na Espanha; o tronco, um prédio de 54 andares em espiral na Suécia; e a bromélia será o Museu do Amanhã, na zona portuária do Rio de Janeiro. O prédio de15.000 metros quadrados? que custará R$ 215 milhões e abrigará um museu de ciência dedicado à sustentabilidade ? deverá ser inaugurado antes da Copa do Mundo de 2014.

A arquitetura pode ter várias funções. Em nossas casas, intimista, pode servir para criar conforto; em uma catedral gótica, monumental, lembra a insignificância do homem diante de Deus. E, nas cidades, pode resgatar áreas abandonadas pelos habitantes e pelo poder público. É o que se espera que o museu de Calatrava faça pelo Porto do Rio. É uma área de industrialização antiga, que vem perdendo relevância econômica ao longo das últimas décadas. A ideia é que o museu ? cujo projeto é tocado em parceria com a Fundação Roberto Marinho, instituição sem fins lucrativos ligada ao mesmo grupo que publica ÉPOCA ? sirva de âncora para a revitalização. Espera-se também que a edificação se torne um dos símbolos da cidade.

O projeto para a região portuária do Rio é inspirado na transformação pela qual passou a cidade espanhola de Bilbao a partir de 1977. O maior símbolo da mudança é o Museu Guggenheim, projetado pelo arquiteto Frank Gehry em 1992, um marco da arquitetura contemporânea. Na Idade Média, a cidade fora um centro comercial, graças à atividade portuária. Manteve esse status na primeira Revolução Industrial, para perdê-lo a partir dos anos 1980. Ficou entregue à ferrugem de suas máquinas. Havia dúvidas de que o museu, com suas curvas sinuosas, estrutura caótica e fachada de titânio, pudesse ser construído. Só com softwares modernos o cálculo estrutural pôde ser feito. Valeu a pena. Só no primeiro ano, mais de 1 milhão de turistas visitaram a cidade para conhecer o edifício. Desde 2001, ela recebe cerca de 100 mil por mês. O fenômeno ganhou nome: “Efeito Bilbao”. E cidades em declínio tentam copiá-lo. O Rio perdeu espaço e prestígio a partir dos anos 1960, com a mudança da capital federal para Brasília. Nos últimos anos, sobretudo com a escolha da cidade, em 2010, para sediar as Olimpíadas de2016, ametrópole fluminense vive uma recuperação econômica... 

Leia mais em http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2012/01/arquitetura-da-reconstrucao.html)

voltar para Blog

normalcase|tsY c15|show|||image-wrap b01 c15 bsd|news|b01 c05 bsd|b01 c05 bsd|login|fsN fwB|b01 c05 bsd|content-inner||